Pichardo critica TAD no processo com o Benfica: «Sou um preto que não tem medo do vosso poder»
Triplista português contesta a atuação do Tribunal Arbitral do Desporto e garante que vai continuar a defender a sua posição no processo contra o Benfica.

Pedro Pichardo voltou a pronunciar-se sobre o processo que mantém com o Benfica e dirigiu duras críticas ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). O campeão mundial do triplo salto questiona a imparcialidade do organismo e afirma sentir que a decisão do processo terá favorecido o clube da Luz.
O atleta reclama 1,1 milhões de euros ao Benfica, alegando, entre outros aspetos, falta de assistência médica e impossibilidade de utilizar um seguro de saúde. Do outro lado, o clube encarnado exige dois milhões de euros por alegados incumprimentos contratuais, prejuízos desportivos e danos reputacionais.
Através de várias publicações nas redes sociais, Pichardo explicou que o processo alterou a confiança que tinha no funcionamento da justiça desportiva portuguesa.
«Estou a notar e a vivenciar desde o começo do meu processo no TAD que estão a ser imparciais e a favorecer a outra parte», escreveu o atleta.
Pichardo entende que a dimensão do Benfica poderá ter influência na forma como o processo foi conduzido e contesta a decisão tomada pelo tribunal.
«Só pelo facto de ser uma grande entidade e por terem influência no País. Mesmo com todas as evidências nas suas mãos estão a tentar ignorar, favorecer e fingir que não existem argumentos suficientes», afirmou.
O triplista garante que não pretende desistir da luta e admite recorrer a instâncias internacionais caso considere necessário.
«Hoje, como cidadão português, respeito a vossa lei, mas não ficarei de braços cruzados e se for necessário viajar e dormir nas portas do Tribunal do Desporto Internacional em Lausanne, irei fazê-lo. Eu sou um preto imigrante que não tem medo do vosso poder, nem medo de morrer a defender a verdade», declarou.
Pichardo enumerou ainda vários elementos que, segundo a sua versão, foram apresentados ao TAD para sustentar a sua posição. Entre eles estão documentos relacionados com processos disciplinares, exames médicos, seguro e outros elementos do período em que representou o Benfica.
O atleta voltou também a contestar as alegações apresentadas pelo clube, nomeadamente as relacionadas com exames médicos e acompanhamento clínico.
«8 anos no Clube e só me fizeram 2 exames médicos (2017 e 2023). Todos os documentos da Plataforma Lince foram entregues ao TAD, os meus últimos anos no clube sem seguro médico desportivo», escreveu.
Por fim, Pichardo questionou diretamente a atuação do tribunal e mencionou o árbitro João Nogueira da Rocha, colocando em causa a forma como o processo foi conduzido.
«Como é possível o Tribunal do Desporto Português fingir que não existem incumprimentos de parte do clube? Entreguei todos os documentos, todas as provas», afirmou, antes de questionar se o árbitro «fez realmente justiça».
As declarações de Pichardo surgem num processo que continua a opor o atleta ao Benfica e no qual ambas as partes apresentam posições distintas sobre os alegados incumprimentos e prejuízos em causa.







