FC Porto — a pressão da liderança
A derrota frente ao Casa Pia trouxe alguns fantasmas do passado. No caso de Farioli, todos sabemos de que forma, no último ano, perdeu o título nos Países Baixos. Em apenas quatro jornadas, perdeu uma vantagem pontual bastante confortável. Por muito que os adeptos do FC Porto — ou o próprio Farioli — não queiram pensar nisso, a realidade é que esse facto está presente no pensamento de todos, fazendo aumentar os níveis de ansiedade. Existe outro motivo para que a derrota da última segunda-feira tenha gerado desconfiança. Nos últimos jogos, o FC Porto tem vencido sem convencer. Aliás, as conferências de imprensa de Farioli no pós-jogo vão ao encontro desta leitura. O treinador portista tem falado muito de união, de família portista, e pouco das incidências do jogo. Farioli percebe tão bem como nós que o FC Porto tem demonstrado dificuldades em criar situações de finalização. Defensivamente, apesar de ser a equipa menos batida, o FC Porto tem permitido que os adversários criem várias situações de finalização.
Em conjunto, o passado do treinador, a última época do FC Porto e a forma como a equipa tem vindo a jogar fazem com que a ansiedade seja elevada e que os adeptos, apesar de motivados, não saibam que FC Porto vão encontrar no relvado no clássico do Dragão. Por outro lado, se olharmos para o copo meio cheio, encontramos também um dado positivo que joga a favor de Farioli e do FC Porto: nas últimas duas épocas, em grandes jogos nos Países Baixos e em Portugal, o treinador portista soma seis vitórias e um empate (em casa, frente ao Benfica, para o campeonato). Os dados estatísticos valem o que valem. Podem trazer conforto ou, pelo contrário, criar ansiedade e desconfiança.
Uma coisa é certa: o FC Porto vai jogar em casa, com o apoio do seu público. Tem quatro pontos de avanço e uma grande oportunidade para carimbar uma vantagem pontual mais confortável e, até, potencialmente determinante. Tudo se vai resolver dentro do relvado. E aí surgem as seguintes perguntas: Que FC Porto vamos ter? O FC Porto agressivo, vibrante e dinâmico do início da época? Ou o FC Porto previsível, desconfiado, com menor qualidade de jogo, que se agarra à união e à atitude?
Sporting — a oportunidade
Destaco seis fatores que explicam porque é que o Sporting chega motivado ao Dragão. O primeiro é a capacidade que a equipa leonina tem demonstrado em acreditar até ao último minuto. Nos últimos cinco jogos, o Sporting resolveu partidas nos minutos finais. Este facto reforça a crença e a confiança dos jogadores.
O segundo fator é Luís Suárez. Está numa forma incrível. Joga e faz jogar. Marca golos decisivos. É o primeiro defensor quando a equipa precisa. É agressivo e decisivo dentro da área. Ter um jogador com estas caraterísticas, motivado para um jogo desta importância, é claramente positivo.
O terceiro fator que aumenta a confiança da equipa foi o facto de ter vencido recentemente jogos de elevado grau de dificuldade: PSG e Athletic Bilbao.
O quarto fator é a capacidade que a equipa demonstra na criação de situações de finalização. Esta forma de jogar está tão enraizada que dá aos jogadores maior confiança nos momentos de decisão.
O quinto fator é o facto de o Sporting chegar ao Dragão com a recuperação de jogadores importantes e com a possibilidade de apresentar aquele que tem sido o seu melhor onze.
O sexto fator está diretamente relacionado com o adversário. A derrota do FC Porto frente ao Casa Pia abriu uma oportunidade clara para o Sporting. Uma vitória no Dragão não só reforça a confiança da nação sportinguista, como pode ter um efeito devastador na equipa do FC Porto.
Ainda assim, as grandes questões em torno do Sporting são claras: será que a equipa de Rui Borges vai conseguir manter o nível exibicional e o ritmo durante os 90 minutos, algo que não conseguiu na Luz frente ao Benfica? Será desta que, nesta temporada, Rui Borges ganha um jogo grande em Portugal?