“CR7 vai ser o maior jogador de Portugal de sempre, com ou sem Mundial”
Roberto Martínez assume que gostaria de poder contar com Cristiano Ronaldo "para sempre", mas avisa que o hipotético sucesso de Portugal no Campeonato do Mundo dependerá sempre do rendimento coletivo.

Roberto Martínez concedeu, esta segunda-feira, uma extensa entrevista a Pedro Pinto, no primeiro episódio do ‘Portugal Football Summit Podcast‘, na qual enalteceu, uma vez mais, a importância que Cristiano Ronaldo assume na principal seleção nacional, com vista à participação no Campeonato do Mundo.
“Vai ser o maior jogador de Portugal de sempre, ganhe ou não o Mundial. Acho que o importante para nós é sabermos como podemos ter a melhor hipótese possível de lutar pelo Mundial, e isso é analisar os nossos padrões e tentar melhorar constantemente. E é essa a forma muito específica como todos os dias lhe dá uma oportunidade de enfrentar uma determinada oposição, da mesma forma que fizemos com a Liga das Nações”, começou por afirmar.
“Nunca trabalhei com um jogador que, todas as manhãs, tenha este foco de tentar usar o dia para melhorar. Se pudéssemos ter o Cristiano para sempre, seria a forma mais fácil de treinar os jogadores mais novos quando chegam à seleção, porque ele tem esse foco. O seu desejo é usar todos os dias para se tornar melhor”, acrescentou.
Ainda assim, o treinador espanhol sublinhou que o hipotético sucesso no Mundial2026 dependerá sempre do que a equipa das quinas for capaz de fazer, coletivamente: “É essencial porque a diferença entre ganhar e não ganhar o troféu é mínima. E ganhar dá-lhe a possibilidade de eliminar a incerteza”.
“A última coisa que se quer num balneário é que qualquer jogador tenha incerteza. Quando não se ganha um troféu, e se fez tudo corretamente, fica-se com esse desconhecido. Nós, quando olhamos para isso, temos tantos jogadores que experienciam ganhar que isso lhes dá a crença e a compreensão do que é necessário nesses momentos-chave durante um jogo, o que ajuda a ganhar. E isso é essencial. Provavelmente é um aspeto que não se pode treinar”, completou.
“A Liga das Nações é o formato mais difícil”
Nesta mesma entrevista, Roberto Martínez reforçou o papel que a conquista da Liga das Nações pode ter na crença da seleção nacional: “Foi essencial na forma como se pode comprar confiança, como se pode comprar crença, e se consegue que o grupo tenha uma energia especial. Quando falamos da Liga das Nações é o formato mais difícil”.
“Tem 10 jogos, cerca de 10 meses, cinco estágios diferentes, e depois os dois últimos jogos são o resultado de um quarto de final a duas mãos em março. E depois joga-se contra a Alemanha na Alemanha, um lugar onde não ganhávamos há 25 anos”, refletiu.
“Tem 10 jogos, cerca de 10 meses, cinco estágios diferentes, e depois os dois últimos jogos são o resultado de um quarto de final a duas mãos em março. E depois joga-se contra a Alemanha na Alemanha, um lugar onde não ganhávamos há 25 anos”, refletiu.
“E é a primeira final contra um campeão europeu. Portanto, quando se olha para a dificuldade e a complexidade do torneio é quase um passo para dizer que fizemos algo que nos pode dar uma confiança incrível para o futuro”, rematou.
“Ninguém quer ceder, mas todos deveriam ceder”
A terminar, Roberto Martínez alertou para a importância de garantir que os jogadores têm um tempo de descanso adequado, perante um calendário cada vez mais sobrecarregado: “Ninguém quer ceder, mas todos deveriam ceder. Isto não é uma questão de saber se as competições de clubes ou as competições internacionais são as que ganham”.
“Isto não é uma luta para ganhar. Isto é alguém definir que o que um jogador precisa é de uma pausa de três a quatro semanas. Ponto final. Porque o corpo precisa disso, porque os músculos precisam de recuperar, porque há uma fadiga mental que precisa de ser trabalhada”, concluiu o espanhol.
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