Novo Banco põe à venda património ligado a Luís Filipe Vieira
Instituição bancária avança com uma operação de grande dimensão para tentar recuperar parte da exposição financeira associada ao universo empresarial do antigo presidente do Benfica.

O Novo Banco está a avançar com uma operação de grande dimensão para tentar recuperar parte da exposição financeira associada ao universo empresarial de Luís Filipe Vieira, antigo presidente do Benfica.
Em causa estão créditos, imóveis e participações em sociedades que representam uma dívida superior a 400 milhões de euros, acumulada pelo grupo desde os tempos do BES. O processo, denominado “Project Horizon”, está a ser conduzido pela KPMG.
A operação já entrou numa fase de abordagem ao mercado, com potenciais investidores a serem sondados. As propostas não vinculativas estão a ser analisadas e a expectativa passa por receber as ofertas vinculativas até outubro, com a conclusão do processo apontada ainda para este ano.
Vários imóveis fazem parte da operação
Entre os ativos abrangidos estão terrenos para construção em Loures, Vila Franca de Xira e Tavira, avaliados em cerca de 56 milhões de euros, embora atualmente sem licenciamento válido. Estes ativos servem de garantia para dívidas na ordem dos 65 milhões de euros.
O processo inclui ainda um edifício de escritórios em Maputo, avaliado em aproximadamente 20 milhões de euros. O imóvel tem 17 pisos, uma ocupação de 35% e receitas anuais de cerca de 900 mil euros.
Também fazem parte da operação as participações do Novo Banco na Promovalor e na Inland, sociedades imobiliárias que passaram para o controlo da instituição após uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça.
O banco ficou com 66,3% da Promovalor e 63% da Inland, tendo atribuído valor zero a essas participações no balanço.
Dívida chegou aos 466 milhões
A KPMG procura ainda apresentar aos investidores uma possível margem de valorização através da execução de direitos contratuais avaliados em 352 milhões de euros, que poderão permitir o acesso a património dos beneficiários efetivos do grupo.
Grande parte da dívida já foi considerada perdida pelo Novo Banco e acabou coberta pelo Fundo de Resolução através do mecanismo de capital contingente.
A instituição já tinha avançado anteriormente para a execução de vários ativos ligados a Vieira, incluindo ações que o empresário detinha na SAD do Benfica, posteriormente vendidas em leilão por mais de cinco milhões de euros.
Agora, através do “Project Horizon”, o Novo Banco procura encontrar compradores para o conjunto da exposição e recuperar, dentro do possível, parte de uma dívida que chegou a atingir 466 milhões de euros em 2015.







