EducaçãoHistória

O Nacionalismo Moçambicano

11views

No seu livro “Lutar Por Moçambique” Eduardo Mondlane escreveu que o nacionalismo moçambicano “nasceu da experiência do colonialismo. A fonte de unidade nacional e o sofrimento em comum durante os (…) anos passados debaixo do domínio efectivo português. A afirmação nacionalista não nasceu duma comunidade estável, historicamente significando unidade cultural, económica, territorial e linguística. Em Moçambique foi a dominação colonial que produziu à comunidade territorial e criou a base para a coesão psicológica, fundamentada na experiência da descriminação, exploração, trabalho forçado e outros aspectos do sistema colonial”.

O nacionalismo moçambicano nasce como contestação do colonialismo europeu e manifesta-se, principalmente, ao nível das associações, da imprensa, da poesia, na linha do um movimento mais amplo de emancipação africana cuja expressão predominante foi o que de chamou de Pan-africanismo.

Mas a ideia de ação nacional desenvolveu-se inicialmente entre uma minoria diminuta de moçambicanos urbanizados. Isto por causa da limitada comunicação entre as comunidades sujeitas às mesmas experiências, da proibição de associação política, a necessidade de segredo imposta por esta proibição, da erosão da sociedade tradicional e da falta de educação moderna nas áreas rurais. Foi entre africanos assimilados e mulatos – intelectuais e assalariados, desenraizados do sistema tribal que vendo de preto, nas cidades o poder colonial e numa ausência de ambiente tribal, que começou a crescer a força da unidade, a visão de Moçambique como terra de todos os moçambicanos.

Os factores do Nacionalismo Moçambicano A partir da II Guerra Mundial, surgem em África vários movimentos nacionalistas. Vários factores contribuíram para este surto nacionalista, como por exemplo:

  • A participação dos africanos na II Guerra Mundial ao lado das suas potencias coloniais;
  • O surgimento em África de partidos políticos, movimentos associativos juvenis, entre outros; • O sistema colonial;
  • O papel da ONU;
  • O papel dos EUA e da URSS;
  • As independências afro-asiáticas;
  • A Conferência afro-asiática de Bandung em 1955; etc

O papel das Associações e Movimento dos Estudantes

A Associação dos Naturais de Moçambique Em 1935, surgiu a Associação dos Naturais de Moçambique, autorizada pelo Estado com vista a aliviar uma potencial oposição moçambicana. Era constituída por brancos nascidos em Moçambique, considerados como “brancos de segunda”. De início servindo os interesses do colonialismo, mas a partir da década de 50, um pequeno grupo de brancos anti-fascistas toma o controle da associação e abre as portas a indivíduos de outras raças. Colaborou a partir de então com a NESAM e vai ministrando nas suas instalações cursos que o sistema não facultava aos negros.

O Movimento de Jovens Democratas Moçambicanos (MJDM)

Pouco depois da II Guerra Mundial, formou-se em Moçambique, o Movimento de Jovens Democratas Moçambicanos (MJDM). Tinha como objectivos:

  • Fazer uma intensa propaganda contra o Estado Novo, através da distribuição de panfletos de propaganda política clandestina;
  • Combater as grandes injustiças sócias de que estavam a ser vítimas os trabalhadores por parte dos patrões;
  • Promover a unidade de todos os africanos. Alguns dos seus dirigentes foram:

Sobral de Campos, Sofia Pomba Guerra, Raposo Beirão, João Mendes, Ricardo Rangel e Noémia de Sousa. Vigiado pela polícia e limitado pelas divisões raciais impostas ao movimento associativo, este movimento viria a ser reprimido no período de 1948-1949, quando seus principais dirigentes foram presos e condenados

O Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM)

Em princípios de 1949, formou-se em Lourenço Marques, o Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM), com cerca de 20 membros, funcionava dentro do Centro Associativo dos Negros (CAN), o novo nome do Instituto Negrófelo.

O objectivo do Núcleo era fomentar a unidade e a camaradagem entre os jovens africanos, através do desenvolvimento da sua capacidade intelectual, espiritual e física, para melhor servir a sociedade

A primeira fase da existência do NESAM, embora dinamizado pela experiência e pelos ideais de Eduardo Mondlane, durou pouco tempo.

Nos primeiros anos da sua existência foi considerada pelas autoridade coloniais como uma organização nacionalista embrionária, daí ter sido policiada e sob influência da direcção colaboracionista do Centro Associativo, passou a restringir a sua actividade a acções sócio-culturais entre a pequena camada estudantil negra constituída por filhos das famílias membros do Centro, e a polícia tentou eliminar o conteúdo político dos seus objectivos, como Mondlane relatou: “Logo desde o início a polícia vigiou de perto o movimento. Eu próprio, como era um dos estudantes vindos da África do Sul que tinham fundado o NESAM, fui preso e longamente interrogado acerca das nossas actividades em 1949.”

Na segunda metade da década de 1950, a contradição entre o colaboracionismo do Centro e a tendência nacionalista do NESAM, agudizou-se. O NESAM voltou a ser uma plataforma de discussão e comunicação não só sobre o problema da educação discriminatória, mas também do nacionalismo e da independência

Leave a Response